CASTELO DE LOULÉ VAI SER PONTO BASE DE INFORMAÇÃO DA ROTA DE AL-MUTAMID

No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, foi apresentada esta sexta feira, na Alcaidaria do Castelo, a Rota de Al-Mutamid, um percurso turístico-cultural que nasce de uma candidatura POCTEP (Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal), e que terá precisamente no Castelo de Loulé o grande ponto de informação para quem realize o itinerário. Considerado pelo Conselho da Europa como um dos itinerários culturais que integram oito percursos históricos de descoberta do património islâmico peninsular, que abarcam territórios espanhóis, portugueses e norte-africanos, percorrendo mais de 200 localidades do Sul da Península Ibérica (Al-Andaluz), a Rota de Al-Mutamid tem como fio condutor a memória desta personagem histórica – Rei Al-Mutamid – que viveu no século XI. No entanto, este percurso pretende ser a exploração do legado islâmico do território no período compreendido entre os séculos VIII e XIII.

Apresent da Rota Al´Mutamid  em Loule - Mira (1)

Esta rota turístico-cultural liga Lisboa a Sevilha, através de dois itinerários alternativos: pelo Algarve, através do Alentejo litoral, e outro através do Alentejo interior, pela serra de Huelva, num território transfronteiriço. No entanto, esta é uma rota circular pois é possível fazer a exploração de todo o território, partindo de Lisboa e regressando a Lisboa, por itinerários diferentes. Nesta primeira fase do projeto só será materializado o percurso entre Aljezur e Sevilha e entre Cortegna e Sevilha. Através de uma outra rota – a Rota de Washington – é feita a ligação entre Sevilha e Granada.

Este projeto tem como líder a Fundação Andaluza Legado Andalusi, com sede em Granada, e integra vários parceiros, entre os quais a Direção Regional de Cultura do Algarve, municípios de Loulé, Silves e Tavira, e a Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur. No âmbito do projeto está prevista a instalação de um ponto de informação base que ficará localizado no Castelo de Loulé, afeto à Direção Regional de Cultura mas gerido pela Autarquia, nomeadamente nas três torres e na alcáçova de Al-Ulyã, transformada depois em alcaidaria. “As três torres foram transformadas mas, basicamente, a configuração da antiga alcáçova mantém a sua fisionomia”, referiu o técnico da Direção Regional de Cultura responsável pelo projeto, Rui Parreira.

Este ponto de informação pretende disponibilizar ao utente informação sobre o potencial turístico e cultural deste território, através da exploração do seu legado islâmico. “É um espaço que, para efeitos de exposição, é fortemente condicionado. O objetivo principal do ponto de informação é fornecer informação sobre a rota mas ligado também ao património local. As três torres condicionam uma exposição e uma informação em descontínuo”, explicou Rui Parreira. Assim, cada uma das torres irá abordar um tema específico que, neste momento, já está trabalhado em termos guião científico mas está ainda a ser trabalhado em termos de programa museológico, para depois dar lugar à concretização museográfica, que será apresentada publicamente em junho.

A Rota e o Legado Cultural Andalusino que se configuram esta rota será um dos temas, e comporta toda a história do andaluz islâmico e o remeter o visitante para as outras modalidades visitáveis, no âmbito deste itinerário. “Todas as localidades que têm um rico passado e um rico património material e imaterial”, sublinhou um dos responsáveis do projeto. Outra torre abordará o tema da antiga Medina de Al-Ulyã e o seu território. É um convite à exploração da cidade de Loulé e do seu território. Haverá também um complemento às torres, ao ar livre, que é o terraço da torre central, que fará uma abordagem através de um leitor de paisagem da área urbana de Loulé que remete para os pontos visitáveis do passado islâmico da cidade, nomeadamente os Banhos Islâmicos, fazendo o visitante descobrir a cidade.

Apresent da Rota Al´Mutamid  em Loule - MiraFinalmente, o terceiro tema irá abordar as vivências domésticas, em que a Cozinha Tradicional remete para uma lembrança daquilo que é o espaço doméstico islâmico através da exposição de algumas peças, exposição essa que será feita na terceira torre. Mas como explicou Rui Parreira, esta temática irá remeter o visitante também para a “componente imaterial do percurso, que permite desfrutar o percurso pelos cinco sentidos: sabores, paladares, cheiros… Tudo aquilo que nos remete para o legado islâmico deste território”. O percurso da Rota de Al-Mutamid será materializado no terreno através de sinalética, nomeadamente mupies que serão colocados junto dos principais monumentos e junto dos principais pontos de interesse patrimonial da rota, complementada por outra sinalética informativa, nomeadamente aquela que irá figurar em todos os hotéis e restaurantes que vierem a aderir a esta rota.

Este projeto é complementado ainda por um livro guia, que será editado até junho, “obrigatoriamente na versão portuguesa e espanhola, podendo também ser traduzido noutras línguas. “Este constitui um instrumento indispensável da descoberta do território, onde o visitante tem toda a informação sobre o património cultural e natural deste território abarcado pela Rota de Al-Mutamid, mas que é também um instrumento de informação sobre as diversas localidades, como podem ser descobertas e que passeios podem ser dados à volta de cada uma das localidades”, frisou o técnico. Refira-se que este projeto integra as localidades de Aljezur, Sagres (ponto de peregrinação dos cristãos durante o período islâmico), Albufeira, Silves, Loulé e Tavira. Do lado espanhol, fazem parte da candidatura Ortegana e Almonaster la Real.

Castelo _1Segundo a Diretora Regional de Cultura do Algarve, Dália Paulo, a grande mais-valia do projeto é que “os materiais de divulgação vão ser transfronteiriços e, por outro lado, haverá o fluxo dos nossos vizinhos espanhóis a poder passar por aqui”. “Ganhar escala, novos públicos e novos horizontes, contribuindo para este turismo cultural e usufruir desta rota cultural” são os objetivos deste projeto que, no caso de Loulé, como referiu Dália Paulo, haverá “uma ligação e um acrescento ao que já existe no Museu Municipal, os Banhos Islâmicos e as três torres do Castelo vão ter mais informação”. “Loulé soube, até hoje, preservar o tecido amuralhado da Medina, a sua alcáçova antiga, e os outros relevantes testemunhos do passado islâmico, que queremos fazer renascer ao olhar, com esta exposição nas três torres”.

Já o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Loulé, Joaquim Guerreiro, considerou que esta Rota “insere-se na política municipal desenvolvida nos últimos anos”. “A presença islâmica no nosso Concelho é muito rica e subsistem aqui algumas marcas como a torre sineira, o Castelo ou os Banhos Islâmicos. É importante a adesão a esta Rota que conta com várias cidades portuguesas e espanholas, por forma a mostrarmos toda essa dimensão da presença árabe”, referiu este responsável que disse ainda que este projeto expositivo trará ainda mais visitantes: “este é um passo importante na afirmação do turismo”.

fonte CML

foto Mira

By Algarve Press

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s